sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Formato Mínimo

SKANK - composição: Samuel Rosa e Rodrigo F. Leão

Começou de súbito
A festa estava mesmo ótima
Ela procurava um príncipe
Ele procurava a próxima

Ele reparou nos óculos
Ela reparou nas vírgulas
Ele ofereceu-lhe um ácido
E ela achou aquilo o máximo

Os lábios se tocaram ásperos
Em beijos de tirar o fôlego
Tímidos, transaram trôpegos
E ávidos, gozaram rápido

Ele procurava álibis
Ela flutuava lépida
Ele sucumbia ao pânico
E ela descansava lívida

O medo redigiu-se ínfimo
E ele percebeu a dádiva
Declarou-se dela, o súdito
Desenhou-se a história trágica

Ele, enfim, dormiu apático
Na noite segredosa e cálida
Ela despertou-se tímida
Feita do desejo, a vítima

Fugiu dali tão rápido
Caminhando passos tétricos
Amor em sua mente épico
Transformado em jogo cínico

Para ele, uma transa típica
O amor em seu formato mínimo
O corpo se expressando clínico
Da triste solidão, a rúbrica

O corpo de Cristo

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Morte da Moda?

EfêMera?
TendênCia?
CorpO pErfeitO?

Foto produzida por Josi, Krol, Juli e Beli em 2007.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Não perca!


Livro francês discute 'influência do traseiro' na humanidade



Um documentário e um livro que chegam nesta quarta-feira ao público francês prometem alimentar um debate nacional sobre a contribuição do traseiro na formação do imaginário nacional.
La Face Cacheé des Fesses (“A Face Oculta das Nádegas”, em tradução livre), uma parceria entre a documentarista Caroline Pochon e o jornalista Allan Rothschild, estreia em forma de documentário nesta quarta-feira no canal Arte de televisão, horas antes de a edição impressa homônima chegar às livrarias.
Os autores concluíram 18 meses de uma investigação que as editoras da obra, Arte e Democratic Book, estão apresentando como "séria, ao mesmo que lúdica", e com um "toque de espírito libertino".
"Quando falamos das nádegas", diz um trecho do documentário, "falamos de nós mesmos".
Psicanálise e semiótica
Os autores propõem uma viagem multidisciplinar pelas diferentes representações do traseiro na história da humanidade, emprestando conceitos de história da arte, psicanálise, sociologia e semiótica.
Pochon e Rothschild falam a um país onde as referências ao que a revista semanal L’Express descreveu como "a parte mais subversiva da anatomia humana" não são incomuns.
"A pátria, a honra, a liberdade, nada existe: o universo gira em torno de um par de nádegas", disse o filósofo Jean-Paul Sartre, como lembrou o diário Le Monde.
Nesse contexto, a imprensa vem tratando esta celebração ao traseiro como "a cereja do bolo dos lançamentos natalinos".
"Há mil coisas a dizer sobre as nádegas", afirmam Pochon e Rothschild. "Elas nos falam sobre os fundamentos – no sentido literal e figurado – de nossa sociedade, os seus tabus e os seus desejos", refletem.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Por que não?


Revistas eróticas no Vale Cultura?
Polêmica emenda agita os debates finais do projeto de acessibilidade,
que agora só deve ir a plenário no Senado em fevereiro
Jotabê Medeiros


Uma emenda ao projeto que cria o Vale Cultura, de autoria do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), criou polêmica anteontem no Senado. Flexa Ribeiro conseguiu aprovar um texto que inclui na proposta a aquisição de periódicos - o que foi considerado, por senadores da situação, como Ideli Salvatti (PT-SC), como um desvirtuamento do propósito original. Com essa emenda, ponderou Ideli, o trabalhador poderia incluir em sua "cesta básica de cultura" revistas eróticas, como Sexy e Playboy, ou gibis como os da Mônica e do Pato Donald."Mas a preocupação é a mesma também em relação a livros, filmes e peças teatrais", rebateu o senador Flexa Ribeiro. "O trabalhador poderá também ir ver um filme erótico ou comprar um livro pornográfico. Por outro lado, você não pode querer vetar o acesso a um canal de informação à cultura, que são as revistas e os jornais. O propósito do Vale Cultura também é o de informar", ponderou.Segundo o senador da oposição, a tarefa de definir o caráter cultural dos produtos e serviços do "cardápio" do Vale Cultura será do Ministério da Cultura. "Diferentemente do Bolsa-Família, o Vale Cultura será um gasto feito com cartão magnético em empresas autorizadas. É tarefa do MinC aprovar esses credenciados como sendo de fundo cultural, mas impedir a compra de periódicos não é correto. O governo está sendo muito restritivo."O projeto, oriundo do Ministério da Cultura, foi aprovado anteontem em três comissões no Senado - Educação, Cultura e Esportes (CE), Assuntos Sociais (CAS) e Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). Mas só deverá ir a plenário em fevereiro, segundo informou Flexa Ribeiro (PSDB-PA). Ele disse que um acordo de lideranças de governo e oposição postergou a decisão, que deveria ser tomada até o dia 12 - o projeto tramita em regime de urgência, e protelar sua votação poderia bloquear as votações no Senado.O Vale Cultura concede R$ 50 mensais a trabalhadores com renda de até cinco salários para gastos com cinema, teatro, museus e shows, além de livros, CDs e DVDs. Até 10% do valor do Vale Cultura poderão ser descontados do salário. Terá caráter pessoal e intransferível. As empresas de lucro real podem deduzir o gasto com o Vale em até 1% do Imposto de Renda devido.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Aconteceu!

Pois é, aconteceu!

Agradecemos a todos os presentes, e a todos que desde o início nos apoiaram.

Aos artistas, aos palestrantes, aos participantes e aos visitantes do blog!

Que tem estado conosco e discutido, dando suas opiniões, e tantas outras colaborações...

Agradecemos também ao apoio de Incentivo à Cultura, à Fundação Cultural, o Curso de História da FURB, Copimagem Gráfica Digital e Cinemar.

E continuemos em 2010. O blog não tira férias...

Só o "Corpo".

;)

A Ditadura do Falo


Fernanda Young mata Freud e mostra ‘O Pau’


Capa de O Pau, de Fernanda Young


Retire o “pau” de um homem e ele estará perdido. Retire da mulher a possibilidade da vingança e ela também estará perdida. Em um mundo cujo poder fálico é tão estimado a ponto de ser adorado por antigas civilizações, uma autora desbocada e com atitude por vezes infantis despeja sua ira sobre a fome incontrolável desse apêndice do corpo masculino. O resultado é O pau, novo romance da escritora e roteirista – e agora coelhinha da Playboy, não necessariamente nessa ordem – Fernanda Young, que dessa vez parece ter optado pelo humor mais evidente, às vezes até escrachado, para narrar a montanha russa emocional da designer de jóias Adriana. Ao descobrir a traição do namorado 14 anos mais novo, ela resolve arquitetar a pior das vinganças. Que passa, invariavelmente, pela inutilização daquilo que o homem mais se gaba de possuir, acima do dinheiro, da beleza e da inteligência.
Fernanda Young usa a ira de uma mulher traída para desconstruir qualquer teoria freudiana que junta “pau” e “poder” na mesma frase. Porque, de acordo com a escritora, aquilo que historicamente está associado ao poder genuíno dos homens e à inveja feminina nada mais é que uma “extensão de músculos, vasos dilatadores e carne” que tem o poder (sim, nesse caso “poder” se faz pertinente) de tornar o corpo que o sustenta seu prisioneiro. A ditadura do falo existe, sim, mas, segundo a autora, são os homens que estão trágica e organicamente submetidos a ela, incapazes de usarem a inteligência e o bom senso para burlar qualquer impulso sexual. São prisioneiros – muitas vezes voluntários, porque se utilizam desse estado para realizar as piores burradas – da própria libido. E o que as mulheres têm a ver com tudo isso? São elas que sentem na pele essa ditadura. Que, providas de bom senso, não conseguem passar ilesas diante desse naturalismo com pitadas de oportunismo. O que resta a elas? Bem, segundo Young, o sádico e recompensador estado da vingança, única arma que possuem – e que até as deixa mais bonitas. Portanto, a guerra está travada. E cada um faz uso das armas que tem.
Fernanda Young se irrita com um monte de coisas, mas continua nos inspirando. Primeiro, seu ensaio na Playboy nos rendeu uma pesquisa para descobrir que outras escritoras já tinham posado nuas. Agora, seu “pau” nos leva ao debate entre as duas partes interessadas. De um lado, a redatora Marcela Berlandez. De outro, seu ex-namorado (e atual amigo), o publicitário Fábio Gatts. Ambos membros de O Livreiro e ambos com vontade de falar sobre o assunto.



Por Marcela Berlandez
Acho que a “ditadura do falo” existe, sim. Espetáculo triste de assistir. É muito irônico ver os homens, sinônimo de força em grande parte do imaginário social, atrapalhados com uma questão tão primitiva (pra não dizer biológica): o desejo.Os mesmos bravos que levantam verdadeiras bigornas nas academias, que arrumam encrenca no trânsito, xingam o síndico, falam alto e batem no peito – com orgulho de serem verdadeiras fortalezas – são os mesmos caras que não admitem sentir ou querer sentir algo diferente do que o julgamento popularesco atesta como “certo”.
Mas vá lá… Entendendo que a “ditadura do falo” é uma questão cultural, fica fácil sacar como tanto poder se tornou impotência. Eles, os homens, estão de fato aprisionados a um pedaço de carne. E enquanto os conceitos do que é certo ou errado não forem reavaliados por eles próprios, eles vão continuar assim.
Historicamente muita gente – homens e mulheres – já morreu em função de sentimentos que não poderiam ser genuinamente abafados. Um legado de coragem que deveria estar sendo mais bem aproveitado pelas gerações que vieram depois. Que muitos desejos fossem proibidos há séculos e que os homens tivessem que dar vazão a ele sem o mínimo de filtro, tudo bem. Mas perpetuar essa ditadura em pleno século XXI é dose! Resta pensar que a prisão deles é uma escolha. E Freud que entre em campo para defender o inconsciente.
O mais incrível de toda essa história é ver a quantidade de homens que não percebe que a maior demonstração de força seria, antes de tudo, defender os seus próprios sentimentos, além do “pau”. Não são eles que também vivem dizendo que pouco importa a opinião dos outros? Então, deveriam ser mais honestos (por que não?) com seus sentimentos verdadeiros. Depois dizem que mulher é que complica as coisas.

Por Fábio Gatts
A “ditadura do falo” é incentivada desde o nascimento, quando todo pai que eu conheço cantava pro filho uma música sobre um garoto que tinha o pau grande e outro que tinha pau pequeno. E o outro sempre era em tom de deboche, como se ele fosse menos homem que o primeiro. Daí começa a escravidão do garoto.Tanto é que, nos vestiários masculinos, entre adolescentes, ninguém fica pelado como ficam as meninas no feminino. Elas não têm vergonha de ter peitos menores que as outras. Nos masculinos, é uma tensão só! Afinal, tudo está concentrado naquela área sagrada, que determina quem será bem sucedido e quem será um merda pro resto da vida.
Afinal, qual é a primeira coisa que pensamos quando vemos alguém arrogante, com um carro caro, querendo contar vantagem sobre suas conquistas amorosas? “Deve ter pau pequeno.” Nas entrelinhas, está ele, o recalque: “Eu não tenho isso tudo, mas meu pau é bem maior, e isso compensa qualquer coisa”. Ou seja, a criatura usa o próprio pau como consolo (sem duplo sentido) por não ter o que gostaria. Quem me garante que aquele cara, numa Mercedes conversível, não tem um pau enorme? Isso gera uma bola de neve que faz com que o indivíduo nunca esteja satisfeito com o tamanho do seu. E aí se caracteriza o cárcere privado que criamos em torno do nosso próprio pau.
Sinceramente, não me considero escravo desta maneira. Sou quem eu sou independente do tamanho do meu pau. Mas me considero escravo do mesmo jeito, quando me pego fazendo piadinhas sobre o tamanho do meu pé (45), com um sorriso de deboche e superioridade. Quando você vive em uma ditadura, da forma que for, não dá pra viver alheio às consequências da mesma.
E, pra deixar claro, mesmo achando que meu pau não é pequeno, compartilho da opinião de Vinicius de Moraes, quando perguntado se gostaria de mudar alguma coisa caso reencarnasse: “Eu gostaria de ser a mesma pessoa que sou. Mas com um pau um pouquinho maior”.